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O Seu Último Dia

Atualizado: 13 de out. de 2020

Se você soubesse que tudo o que acredita está te prejudicando? Ou que a outra pessoa também tem razão? Você mudaria sua maneira de ver e viver a vida?


Eu. Você. O fato. Não presuma nada. Pergunte. Seja sincera e honesta e com o coração aberto para entender e aceitar uma história que é diferente da sua... e tão válida quanto.

Acredito que toda estória tenha três lados: o meu lado, o outro lado e o fato. Assim, sempre justifiquei minhas atitudes quando alguém discordava de mim ou não aceitava o que penso ou faço: "Esse é o SEU lado da estória, o que não reflete o ‘fato’ e sim, a SUA interpretação, apenas um OUTRO lado."


Maria Fernanda (nome fictício que usarei para proteger a privacidade da minha cliente) me procurou para fazer um coaching de relacionamento e ajudá-la a resolver seu “problema de relacionamentos com homens”. Logo de cara me falou que acreditava nos três lados de toda estória e era por esse princípio que vivia sua vida.


Como também acredito nisso, propus à Maria Fernanda que analisássemos os três lados da estória que a trouxe até aquele momento: o “meu lado” (dela, no caso), o “outro lado” (do cara envolvido) e o fato.


Olhar somente o “meu lado” da estória é um argumento usado por pessoas que querem estar certas: "Sou responsável pelo que digo e não pelo que você entende" e, segundo essa premissa, estar sempre certa é viver constantemente brigando e se defendendo justificando o “meu” lado, a “minha” interpretação dos fatos.


Viver assim é operar em modo vítima e toda vítima precisa de um criminoso culpado, que a mantém nessa situação. O problema com esse modo de pensar é que ele não deixa espaço para crescimento pessoal – e muito menos para a felicidade - porque o foco é olhar para fora procurando “culpados”. Pois é... Estar sempre certa é tarefa que cansa e um dia você se vê esgotada.


A Maria Fernanda topou fazermos esse exercício e ao olhar para o lado dela da estória o “meu lado”, viu que repetia um monólogo interno que girava em torno de:

  • Isso vai passar, as coisas vão mudar;

  • Às vezes, a gente precisa se sacrificar por quem ama;

  • Estou fazendo isso por amor, um dia serei vista, apreciada, admirada e valorizada pelo que estou fazendo;

  • Ele irá me entender, irá me amar e eu serei suficiente para ele.


Quando ela começou a olhar para o outro lado e a enumerar tudo o que “faziam e fizeram” com ela e não demorou até perceber que esse não era na verdade o outro lado, esse também era o “meu lado” - o lado dela da estória. Sim, pode ser bastante difícil realmente enxergar o outro lado da história.


Neste momento, concordamos em olhar para o fato. Pausa... minutos de silêncio absoluto.


Ela percebeu que, a menos que perguntasse diretamente à outra pessoa envolvida, tudo o que conseguiria seria sempre o “meu lado” (o lado dela). Ela simplesmente não conseguia ver o que realmente estava acontecendo, mas estava decidida a enxergar e não iria desistir pois não aguentava mais se sentir pequena e insuficiente. Portanto, essa foi sua lição de casa para nosso encontro na semana seguinte: esforçar-se para enxergar o fato.


Após uma semana ouvindo a si mesma falar todos os “meus lados” possíveis da mesma estória, ela enxergou o fato: suas relações afetivas eram de dependência. Ela procurava alguém em quem pudesse se refugiar de si mesma, alguém que enxergasse a sua grandeza e que a fizesse se sentir amada e suficiente. Ela estava cara a cara com sua carência afetiva.


A partir dessa constatação ela conseguiu olhar para o “outro lado” da sua estória e fez uma nova constatação: o “outro lado” não era diferente do “meu lado”. Ficou claro que seus relacionamentos afetivos seguiam o mesmo padrão: duas pessoas afetivamente carentes que buscavam se realizar vivendo em função da outra. Com o tempo, essa dedicação completa de si mesma se tornava insuportável porque vinha com o peso de uma infinidade de cobranças. Um novo fato se apresentou: percebeu que necessitava se encontrar dentro de si mesma, não em outra pessoa.


A coragem de se enfrentar e enxergar o fato despido do “meu lado” e de sua necessidade de brigar e defender um ponto de vista ao qual se agarrava na tentativa de se sentir importante, revelou à Maria Fernanda a verdade da qual ela fugia e se escondia: ela se via pequena e insuficiente e, por não conseguir admitir isso a si mesma, procurava alguém que provasse o quanto ela é especial, suficiente, importante e amada. Esse era o outro lado: ela não era vítima e a outra pessoa sofria tanto quanto ela, portanto também não havia culpados.


As pessoas fazem o melhor que podem com o entendimento que têm das situações e de si mesmas. O processo da Maria Fernanda me ajudou a ver que muitas vezes briguei defendendo o meu lado de uma estória em detrimento da saúde dos meus relacionamentos. Vi que muitas vezes eu também procurava culpados e que eu também precisava estar disposta a sair do modo vítima, abrir mão da necessidade de estar sempre certa e, assim como a Maria Fernanda, ter coragem de viver feliz.


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