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Anatomia da Crise

Para sair do desconforto é preciso acolhê-lo. O caminho para sair da dor é senti-la - mesmo porque você já viu que resistir, lutar, fugir e negar não adianta.


"Quem você foi, quem você é e quem você vai ser são três pessoas totalmente diferentes."

A Crise


Em Economia, crise é a fase de transição entre um surto de prosperidade e outro de depressão, ou vice-versa. Já para a Medicina é o momento que define a evolução de uma doença (para melhor ou pior). E na Vida, provavelmente uma boa definição seja DEU RUIM!


Ainda falando sobre conceitos, anatomia é dissecar um corpo (animal, humano, uma planta...) para estudar e entender sua organização interna, como ele funciona e é isso que faremos: dissecaremos a fase de transição entre prosperidade e depressão que define sua evolução: se para melhor ou pior, depende de você.


O Começo já é o meio

Quando percebemos uma crise estamos no meio dela. Tudo o que fazíamos antes e dava certo, agora não dá mais. Aliás, nada dá certo. As desculpas, a forma de tratar as pessoas, o jeito de fazer negócios... Nada mais dá certo. Nada mais funciona e não sabemos o que fazer.


Alguma coisa está fora do lugar. Mas não sabemos o quê. Então lutamos, brigamos, xingamos, resistimos, nos revoltamos com os outros, conosco, com Deus...

E mesmo assim, nada muda! Tentamos o pensamento positivo: tudo vai dar certo! Mas também não funciona. Aliás, agora estamos pior, porque mais uma coisa não deu certo.


Não gostamos de crises – NINGUÉM gosta de crises – e queremos desesperadamente sair dela. E tem saída. A saída da crise é atravessá-la tendo como GPS nossas emoções negativas. Mais do que isso, sentindo essas emoções com acolhimento e curiosidade. Parece contraditório, né? Sim! Para sair do desconforto é preciso acolher o desconforto. O caminho para sair da dor é senti-la, mesmo porque já vimos que resistir, lutar, fugir e negar não adianta nada.


Nossas emoções negativas têm o mesmo papel da voz do GPS no waze avisando quando saímos da rota rumo ao nosso destino. Seja lá qual foi o motivo pelo qual desviamos do nosso destino a voz do GPS irá avisar que não estamos mais indo na direção que precisamos ir para chegar onde queremos.


Como você chegou onde está

A gente se movimenta pelo mundo absorvendo informações e reagindo a estímulos que recebemos através dos 5 sentidos: visão, audição, toque, paladar e olfato. E assim acreditamos saber das coisas! Só que somos muito mais do que cinco sentidos. Por isso, a visão de mundo dos 5 sentidos é bem pequenininha: é

1) limitada, 2) limitadora e 3) limitante.


1. Limitada porque acreditamos que o que sabemos é fato, só porque “sabemos”. Temos a percepção de que o que pensamos é verdade incontestável e nos incomodamos quando essa “verdade” é questionada. Acreditamos que a nossa visão de mundo é a certa. Assim, nosso universo fica dividido entre “eu e quem pensa como eu”: os amigos; e o resto: “eles, que pensam diferente”: os inimigos.


2. Limitadora porque essa visão nos prende à uma percepção subjetiva (a nossa) de realidade e acreditamos poder mudar o que os outros pensam – “eles” têm que pensar do jeito certo ou seja, como nós: usamos nossa limitação para limitar o outro. Pelo tamanho da nossa caixa determinamos o tamanho dos outros e tentamos a todo custo fazê-los caber no nosso tamanho.


3. Limitante porque quando acreditamos saber tudo nos fechamos para outras possibilidades, para ver e aprender um outro ponto de vista, outros valores, outras formas de acreditar e se expressar. Afinal, quem procura respostas para o que já sabe? Ou solução para problemas que já estão resolvidos? E pensando assim nos limitamos cada vez mais e ficamos cada vez menores.


E o que isso tem a ver com crise? CRISE é o sintoma de uma limitação que precisa ser superada. A crise chega para nos mostrar uma percepção limitada que temos sobre a realidade. Para sair de uma CRISE é necessário compreender algo que ainda não foi compreendido, ajustar nossa visão de mundo. Alguma coisa dentro de nós precisa ser transformada para entendermos melhor as coisas que estão acontecendo do lado de fora.


É uma oportunidade de entender que não há separação entre nós e o mundo. O que acontece do lado de fora é apenas reflexo do que está acontecendo dentro de nós. Se o mundo é confuso é porque estamos confusxs: esse é o princípio da correspondência na física quântica.


Toda crise é resolvida internamente. É isso que os chineses querem dizer quando usam o mesmo anagrama para crise e oportunidade.


A Lagarta, O Casulo E A Borboleta


Inconsciente da sua forma final (como borboleta) e seguindo o fluxo da vida, a lagarta começa a construir um casulo em volta de si. Imagine que você seja a lagarta e o casulo seja o que você aprendeu das pessoas que te amam: seus conceitos, crenças, valores, comportamentos... Funciona assim:

  • Conceito (ou pensamento, neste contexto) é seu entendimento e a ideia que você tem sobre as coisas. Ex.: Versace é luxo e riqueza

  • Crença é o que você acredita que essas coisas representam. Ex.: Quem veste Versace tem sucesso e poder

  • Valor (moral) é a importância que você dá aos conceitos e às suas crenças separando-os em “certo” e “errado”. Ex.: Se eu usar Versace as pessoas acharão que sou bem-sucedidx e poderosx.

  • Comportamento é conceito + crença + valor colocados em atitudes. Ex.: Eu trabalho 12h por dia, 5 dias na semana para conseguir comprar roupas Versace e ser valorizadx e importante.

O que valorizamos serve como base para julgarmos a nós mesmxs e o que é importante; entenda, não há problema nenhum nisso! O problema é quando julgamos e definimos o que é importante a partir do que achamos que é importante para os outros.


Como nossos valores nos foram passados pela nossa família, pela sociedade e pela cultura dos grupos sociais aos quais pertencemos, se nos disseram que a única maneira de ser bem-sucedidx é usar Versace (como nos exemplos acima), isso significa que se não usarmos Versace seremos fracassadxs e insignificantes. Acreditamos que isso é verdade porque quem nos passou esses conceitos e crenças são pessoas que nos amam e precisamos do amor dessa(s) pessoa(s) para sermos aceitxs e pertencemos a algum lugar.


Vivemos muito tempo tentando nos adaptar à visão das outras pessoas e às suas expectativas para nossa vida. E construímos nosso casulo com os conceitos, crenças e valores dos outros. E assim ficamos lá dentro por algum tempo porque, convenhamos, estamos confortavelmente protegidxs, concordando com tudo o que nos foi imposto, pensando igual todo mundo: assim somos aceitxs e "amadxs".


Só que, "de repente" começamos a nos dar conta de que não acreditamos nas mesmas coisas que os outros. Não vemos a vida com o mesmo olhar dos outros e parece que o espaço no casulo fica pequeno e escuro demais. Precisamos sair dali.


Lembra que “o que você acredita define seu comportamento?” Então... O que acreditamos até então foi o que nos disseram e agora estamos chegando a conclusões por nós mesmxs e precisamos viver de acordo com a nossa própria integridade emocional e nãos pela integridade emocional dos outros.


Saindo da crise: o final você decide

Precisamos nos desenvolver.


(DES)ENVOLVER = sair do envolvimento. Sair do casulo feito das crenças, conceitos e valores dos outros. Não tem nada errado com a gente e nem com o mundo. É o casulo em torno de nós que precisa ser rompido. Precisamos nos livrar do envolvimento, precisamos virar borboleta.


Estamos diferentes. Não sabemos para onde ir porque não conhecemos essa pessoa “diferente” ainda. Afinal, vivemos parte da vida rastejando e outra parte envolvidxs por um casulo sem saber que o mais lindo e maravilhoso da vida nos espera do lado de fora dessa proteção chamada casulo.


A borboleta adulta ou imago, é a principal fase da vida e seu objetivo como ser adulto é reproduzir, procriar: é a fase na qual temos a oportunidade de contribuir para o mundo com nossa autenticidade. E nossa angústia vem de não estarmos conseguindo fazer isso.


É impossível não ser tocado ao ver uma pessoa que enfrentou muito perrengue e passou por cada um criando a partir deles uma vida mais colorida para si e para o mundo. Somos tocados por uma alma resiliente porque reconhecemos a coragem de uma pessoa que abraçou os desafios da vida, acolheu sua própria sombra, saiu do casulo e se tornou borboleta. Isso é beleza!


Resignificar o que nos disseram e o que nos aconteceu é libertador. O passado não muda, mas podemos mudar como entendemos o passado. Transformar a maneira como nos vemos. A borboleta só vai existir quando a lagarta sair do casulo.


RESUMINDO:

Seja qual for o casulo que está te envolvendo: conflitos internos, trabalho, um relacionamento romântico, família, casamento, amizades, problemas financeiros... Isso quer dizer que:

  • Tem alguma coisa muito melhor te esperando do lado de fora do seu casulo

  • Para ter acesso ao que é melhor, você precisa questionar suas crenças e visão de mundo que, talvez, estejam te limitando: dentro do casulo, você só vê o casulo.

  • A saída é a transformação que tem que acontecer dentro de você: transforme dentro e fora mudará.

  • Acolha o desconforto, olha-se com carinho e respeito e se pergunte:

  1. O que a pessoa que eu quero ser valoriza na vida?

  2. Em que eu preciso acreditar para me tornar essa pessoa?

  3. O que eu poderia fazer se realmente quisesse sair de onde estou?

  4. Que atitude posso ter nos próximos 90 segundos que mudaria algo em minha vida?

  5. Conte de trás para frente: 5. 4. 3. 2. 1 - FAÇA ISSO AGORA!

Ouça a voz das suas emoções negativas: o seu desconforto é a moça do GPS te avisando que você pegou o caminho errado e que ela está recalculando a rota.



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